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25 de setembro de 2017

“A Escritura não pode ser anulada” (Jo 10,35)

οὐ δύναται λυθῆναι ἡ γραφή

No mês da Bíblia deveríamos celebrar a inspiração divina das Sagradas Escrituras como, guardada as devidas proporções, celebramos a encarnação do verbo no seio virginal de Maria. Sim, o Espírito Santo que concebeu Jesus – a palavra definitiva de Deus – é o mesmo que inspirou os hagiógrafos na composição dos textos bíblicos. A Igreja gerou as Escrituras por virtude do Espírito Santo.

As Paróquias e cada cristão devem venerar e contemplar Jesus na Bíblia (cf. Verbum Domini, 55). A finalidade da leitura e meditação das Escrituras é o encontro pessoal com Cristo (Ecclesia in America, 12; Jo 5,39).

As Sagradas Escrituras foram criadas para nossa salvação, sua causa é salvífica e a salvação se encontra em Jesus (2Tm 3,14-17). É aí que se alcança a eficácia da Palavra de Deus (Hb 4,12).

Para fomentar um adequado “funcionamento” das nossas Bíblias fazemos aqui algumas indicações em dois níveis, comunitário e pessoal:

  1. As Paróquias e seus templos podem e devem ter um local de destaque com bom gosto – ornamentado artisticamente – às Sagradas Escrituras onde o povo possa aproximar-se com respeito e fazer uma leitura mesmo que breve. No ambão é o óbvio ululante.
  2. É premente uma proclamação da Palavra de Deus com acústica adequada ao menos nas matrizes, feitas por leitores treinados para essa função. A devoção exige isso.
  3. Em nossos lares é possível constituir um “ambão” doméstico onde a família de quando em quando desfrute espontaneamente de alguns versículos das Escrituras como alimento para o dia.
  4. A leitura pessoal e cotidiana das Sagradas Escrituras é relativamente simples, basta seguir a liturgia diária da Igreja – a fina flor da Bíblia – ou outra conveniente, apenas com intuito de oração, pelo seu valor espiritual intrínseco, já que a fonte daquele texto é o Espírito de Deus. (Caso alguém precise de mais informações técnicas/acadêmicas leia um livro sobre o tema ou faça teologia ou ambos.)
  5. Um jeito bom e prático de ler um texto bíblico é decorar um versículo/passagem e “carrega-lo no bolso” da memória para ser sacado ao menos três vezes ao dia. O nosso espírito precisa permanecer demoradamente exposto ao pensamento e a força do texto ou versículo para produzir uma ideia e essa ideia influencie nossa vontade e a vontade determine o nosso comportamento. É fé e trabalho sem drama e sem falsas expectativas piegas. Um dia de cada vez e seja o que Deus quiser.
  6. No começo dê preferência aos versículos e frases dos Evangelhos e dos Salmos; estes são os pulmões da Bíblia, aqueles o coração.

Por fim (7), lembre-se bem: o motivo da leitura orante da Bíblia é estar com Jesus de Nazaré. Veja: uma mulher em Mc 5,25-34 tocou no manto de Jesus e fez sair dele uma força [dynamis] que a curou. Não temos mais esse bendito manto, mas, pela analogia da fé, as Escrituras fazem a vez do manto e do poder de Jesus (Mc 12,24). Texto vem do latim textus, “tecido”, assim, ao tocarmos nas Escrituras pela leitura e meditação, tocamos no tecido espiritual do manto de Jesus e delas – das Sagradas Escrituras – vem a nós a força do Espírito Santo.

Pe. Alexandre Vasconcelos
Doutor em Teologia Bíblica
Pároco da Paróquia São Francisco de Assis

 

 






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