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Palavra do Pastor › 02/10/2013

A natureza missionária da Igreja

O Papa Francisco em alguns dos seus discursos no Brasil foi muito incisivo em convocar a Igreja para assumir atitudes mais ousadas na evangelização. Ele continua os insistentes apelos dos seus predecessores, principalmente do Papa Bento XVI e do Papa Beato João Paulo II. O último Sínodo dos Bispos que tratou da temática da nova evangelização e estas sábias insistências dos nossos últimos Papas continuam nos convidando à reflexão sobre o urgente chamado da Igreja à nova evangelização e a missão ad gentes.

A Igreja existe para evangelizar

A natureza essencialmente evangelizadora da Igreja é como um verdadeiro imperativo intrínseco da sua existência histórica, ou seja, ela não é fim em si mesma, pois a razão da sua existência é a evangelização (cf. EN 14). A fidelidade ao mandato missionário de Jesus constitui a sua fidelidade esponsal. Como esposa de Cristo, ela não pode furtar-se da vontade suprema do esposo que deseja que a sua mensagem salvífica chegue até os confins da terra (cf. At 1,8).

A evangelização é expressão da catolicidade da Igreja, e por sua vez a sua catolicidade deriva da universalidade do Evangelho. Como a vontade salvífica de Deus em Jesus Cristo tem como destinatários todos os homens (cf. I Tm 2,4), também a única Igreja fundada por Cristo é católica, ou seja, chamada a levar o Evangelho da salvação a todos os povos (cf. Mc 16,15; Mt 28,19).

Um modelo a ser seguido

Na carta apostólica Novo Millennio Ineunte, o Papa Beato João Paulo II convidou a Igreja a reacender o zelo missionário das origens (cf. NMI 40). Neste sentido é necessário que a Igreja retorne às fontes para encontrar inspiração para o seu empenho evangelizador neste início do terceiro milênio.

Os primeiros cristãos tiveram muita clareza acerca da missão. Pela assistência do Espírito Santo eles compreenderam que a Igreja é portadora da mensagem da salvação, por isso foram capazes de edificarem comunidades em permanente estado de missão, com uma forte projeção evangelizadora (cf. RMi 27; EN 13).

Mesmo enfrentando as barreiras do judaísmo e estando em ambientes de perseguição, os primeiros cristãos viveram profundamente esta vocação eclesial. O aspecto missionário, como anúncio do Ressuscitado é dominante nos Atos dos Apóstolos. “Todos os dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo no templo e pelas casas” (At 5,42).

Renovação da consciência missionária

No IV século, com Teodósio, o cristianismo foi declarado religião oficial do Império Romano. Isto garantiu liberdade à Igreja, mas trouxe também em algumas regiões, um certo arrefecimento na sua atividade evangelizadora. A evangelização deixou de depender exclusivamente da convicção e empenho dos cristãos e passou a depender de outros fatores, como as leis imperiais e a conversão dos reis. Embora a atividade missionária da Igreja nestes vinte séculos tenha continuado, falta em muitos cristãos compreender que a missão é parte integrante do seu compromisso de discípulo de Cristo.

Nos últimos decênios houve um claro crescimento em relação à consciência missionária da Igreja, compreendendo-a não como algo acidental mas como  essência mesma da sua vida. O Concílio Vaticano II e o Magistério posterior, principalmente a Evangelii Nuntiandi e a Redemptoris Missio, deram luzes muito significativas neste processo.

Cada batizado como membro da Igreja é destinatário do mandato de Cristo e deve sentir-se corresponsável na difusão da Boa Nova. “Quem verdadeiramente encontrou Cristo, não pode guardá-Lo para si; tem de O anunciar” (NMI 40). O discípulo na medida que se sente conquistado por Cristo experimenta a necessidade de compartilhar com outros a riqueza da sua fé,  anunciando Jesus Cristo, morto e ressuscitado.

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Padre Djalma Lopes de Siqueira
Administrador Diocesano

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