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4 de Abril de 2017

Há políticos de negócios!

Com uma oração da Liturgia das Horas (27/03/17 – quaresma), “Perdoai-nos por termos ignorado muitas vezes a presença de Cristo nos pobres, nos infelizes e nos marginalizados, e porque não respeitamos vosso Filho nestes nossos irmãos e irmãs”, convido o leitor a refletir o seguinte:

Todos somos políticos! Esta realidade ninguém poderá negar, a não ser que a pessoa não entenda seu significado. Aí ela está sendo um tipo de político alheio à realidade, o que é o pior tipo, porque são esses tipos de pessoas que os maus políticos aproveitam, com interesses pessoais ou partidários, com uma ideologia injusta e egoísta. Ou seja, se a pessoa é omissa, dá alternativa a alguns “políticos de negócio” aproveitarem para explorar mais o povo. Ter senso crítico e atuar na defesa da verdade e da justiça É OBRIGAÇÃO DE TODOS (o que dizer do cristão, então?).

Vivemos uma realidade atual desafiadora. Não podemos deixar ser enganados por uma mídia manipuladora e por políticos interesseiros. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançou uma nota sobre a Reforma da Previdência, afirmando: “Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio…

Os números do Governo Federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias. É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil… Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados” (acesse em: www.cnbb.org.br).

Ainda, outro assunto: projeto que permite a terceirização em todas as atividades das empresas privadas e no setor público. A criação dessa regra, aparentemente simples, poderá causar grande impacto nas relações de trabalho. A ampliação da terceirização pode levar a um comprometimento significativo dos direitos trabalhistas, com perda de massa salarial e de segurança para o trabalhador.

Depois das perdas, os trabalhadores não poderão nem reclamar com o patrão. Grandes empresas tendem a concentrar os lucros, mas sem emprego. É uma questão de princípios e de valores éticos: considera-se o lucro, o capital, acima do ser humano e do social. Nada justifica colocar o ser humano, todo e qualquer um, em risco de agressão à sua integridade.

A Constituição Brasileira inicia seu texto professando como fundamento a “cidadania, a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho” (cf. Art 1º, II, III e IV) e que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros… a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade…” (cf. Art 5º da mesma Constituição). Nem precisamos falar a partir do Evangelho de Jesus Cristo e da Doutrina Social da Igreja para concluirmos estas verdades. Bastaria respeitar estas afirmações da Constituição Brasileira para que tudo estivesse bem. Parece-me que querem fazer desta “Carta Magna” um artigo de museu. Não podemos deixar, como cristãos ou pessoas de boa vontade, isso continuar acontecendo.

Tantos outros assuntos de interesse social poderiam ser mencionados neste artigo. No entanto, estes são temas que estão exigindo atenção urgente de cada um de nós…

Concluindo, sinto que um dos maiores desafios para a Igreja é a consciência e a prática desorientadas de pessoas que atuam em nossas pastorais, movimentos e comunidades, com uma mentalidade religiosa sem interesse nem de conversar sobre questões sociais, desvinculando a fé da vida. Nem Jesus fez isso! Aliás, foi porque Suas atitudes e mentalidade iam contra os poderes estabelecidos que Ele foi martirizado… Deu sua vida livremente, mas foi morto pela humanidade injusta e egoísta.

“Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão!”- cf. Lc 19, 40

Pe. Ronildo Aparecido da Rosa
Assessor da Comissão Diocesana Socio-Política






CatolicaSJC Web Rádios

  1. Excelente reflexão! Precisamos nos mobilizar como comunidade, só assim somos mais fortes que o desânimo que as vezes nos abate individualmente e é com isso que os políticos de negócios estão contando…
    Incrível como esses seres humanos fazem de tudo para se manterem à parte do resto de nós, a quem recorrem sempre para se reelegerem.


  2. Elisângela

    Excelente artigo Padre!


  3. edna

    Texto muito bem ponderado!
    Como cristãos temos o dever de evangelizar e também denunciar!
    Quando se cria uma lei (ou uma ideologia) onde as pessoas menos favorecidas serão prejudicadas não podemos aceitar, calar, omitir nosso desagravo!
    Se nascemos, somos políticos!
    Se somos políticos temos força na história!



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