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15 de maio de 2017

Lições de Aparecida

Desde outubro de 2016 a Igreja Católica no Brasil está vivendo o Ano Nacional Mariano, para celebrar os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora nas águas do Rio Paraíba. Ao longo deste tempo tem-se realizado muitas atividades nas dioceses e paróquias, com um olhar mais atento à vida e à missão daquela que foi escolhida por Deus para ser a mãe do Salvador e que brilha diante dos seguidores de Jesus como mãe terna, presente e atuante, mestra na fé e modelo de discipulado.

A pequenina imagem de Nossa Senhora da Conceição, chamada posteriormente de Aparecida, esconde em sua simplicidade uma grandeza de significados que muito podem ajudar aqueles que são seus devotos. Na imagem da Virgem Aparecida pode-se aprender significativas lições.

Trata-se de uma estátua pequena e simples, modelada por um artista popular e anônimo. Isto ensina que agradam a Deus os que se fazem menores e não se preocupam com aquilo que é secundário. A grandeza de Deus coincide com a sua simplicidade e deve refletir-se em suas criaturas amadas.

A imagem da Virgem Aparecida apresenta-se com um singelo sorriso, expressão daqueles que pertencem totalmente a Deus. Cada batizado que vive comprometidamente essa sua condição, deve ter a alegria como sua marca característica, inclusive em meio às dificuldades da vida.

As mãos unidas em prece da imagem de Aparecida falam da atitude permanente dos filhos de Deus: estarem em comunhão com Ele por meio da oração, seja de gratidão e louvor, seja de entrega dos desafios.

Uma característica quase imperceptível da imagem de Nossa Senhora Aparecida é que ela está grávida, – foi confeccionada como imagem de Nossa Senhora da Conceição (concepção) -, mostrando-se, assim, cheia da presença de Deus. A fé autêntica é vivida e testemunhada desde a comunhão de vida com Deus e a imitação de Jesus Cristo. Quem vive e age deste modo, está pleno de Deus em toda a sua existência.

Mas, há ainda um outro detalhe expressivo que se pode colher na maneira como a imagem de Nossa Senhora se apresenta em Aparecida.

Não obstante o significado dessa imagem, ela é uma realidade extremamente frágil. Feita de barro cozido, há mais de 300 anos, ficou dentro do rio sabe-se lá por quanto tempo, passou por vários restauros ao longo dos anos, nem sempre da maneira mais adequada e, por mais de uma vez foi atacada por pessoas fanáticas ou desequilibradas, vindo a quebrar-se. Essas características e acontecimentos falam, pois fazem pensar na pobreza de Maria diante da grandeza de Deus, verdade que ela mesma reconhece (cf. Lc 1, 48). Entretanto, a frágil imagem está envolvida por um manto ricamente elaborado, bordado com fios de ouro e pedras preciosas e coroada por uma bela coroa. Estes elementos preciosos e carinhosamente elaborados para honrar a imagem da Mãe de Deus, simbolizam a misericórdia e a ternura de Deus para com ela, que a envolvem por completo. Também isso é reconhecido por Maria quando proclama: “o Todo-Poderoso fez para mim grandes coisas” (Lc 1,49).

Em Aparecida, Maria partilha com os seres humanos a experiência de fragilidade e pequenez, que os faz vulneráveis a todos os perigos e ameaças que os rodeiam. Porém, ela partilha de maneira mais intensa o fato de ter sido agraciada por Deus com toda sorte de bênçãos espirituais, seja para o cumprimento de sua missão seja como decorrência de sua participação no mistério da salvação. O manto que recobre a imagem de Aparecida e a coroa que a homenageia não pertencem somente a Maria, mas a todos os que a ela estão unidos na devoção filial. Sob este manto ela abriga todos os que labutam em meio às próprias debilidades e aos desafios que a história lhes apresenta.

Essas são apenas algumas das lições de Aparecida, que vale a pena pôr em prática. Muitas outras há, com certeza.

Pe. Edinei Evaldo Batista
Pároco da Paróquia Santa Teresinha, em São José dos Campos






MISERERE   Ano Mariano

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