Palavra do Pastor

17 de janeiro de 2017

Maria, Mãe de Deus

A Igreja celebra no dia 1º de janeiro, no início do ano civil, a solenidade de Maria, Mãe de Deus. Celebramos, também o ano novo e a paz, que é dom de Deus. No documento pontifício do Papa Paulo VI, a Exortação Apostólica “Marialis Cultus” encontramos uma rica doutrina sobre a figura e o papel de Maria, a mãe de Jesus Cristo e por isso Mãe de Deus.

Diz-nos o Papa: “o tempo do Natal constitui uma memória continuada da Maternidade divina, virginal e “salvífica”, daquela cuja “intemerata virgindade deu a este mundo o Salvador”. Assim, na solenidade da Natividade do Senhor, a Igreja, ao adorar o divino Salvador, venera também a sua gloriosa Mãe; na Epifania do Senhor, ao mesmo tempo que celebra a vocação universal para a salvação, contempla a Virgem Maria, verdadeira Sede da Sabedoria e verdadeira Mãe do Rei, que apresenta à adoração dos Magos o Redentor de todas as gentes (cf. Mt 2,11); e na festa da Sagrada Família, Jesus, Maria e José (Domingo dentro da oitava da Natividade do Senhor), considera, venerável, a vida de santidade que levam, na casa de Nazaré, Jesus, Filho de Deus e Filho do homem, Maria, sua Mãe, e José, homem justo (cf. Mt 1,19) (MC 5)…

No ordenamento do período natalício, conforme foi recomposto, parece-nos que as atenções de todos se devem voltar para a reatada solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. Esta, colocada como está, no dia 1° de janeiro, destina-se a celebrar a parte tida por Maria neste mistério de salvação e, a exaltar a dignidade singular que daí advém para a “santa Mãe…, pela qual recebemos… o Autor da vida”; é, além disso, ocasião propícia para renovar a adoração ao recém-nascido “Príncipe da Paz”, para ouvir ainda uma vez o grato anúncio angélico (cf. Lc 2,14), para implorar de Deus, tendo como medianeira a “Rainha da Paz”, o dom supremo da paz. Por isso, na feliz coincidência da Oitava do Natal do Senhor com a data auspiciosa de 1° de janeiro, instituímos o Dia Mundial da Paz, que vai recebendo crescentes adesões e já madura nos corações de muitos homens frutos de paz.

Maria é a Virgem que sabe ouvir, que acolhe a palavra de Deus com fé; fé, que foi para ela prelúdio e caminho para a maternidade divina, pois, como intuiu Santo Agostinho, “a bem-aventurada Maria, acreditando, deu à luz Aquele (Jesus) que, acreditando, concebera” (Sermo 215, 4; PL 38,1074); na verdade, recebida do Anjo a resposta à sua dúvida (cf. Lc 1,34-37), “Ela, cheia de fé e concebendo Cristo na sua mente, antes de o conceber no seu seio, disse: “Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38 – ibid.); fé, ainda, que foi para Ela motivo de beatitude e de segurança no cumprimento da promessa: “Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido” (Lc 1,45); fé, enfim, com a qual ela, protagonista e testemunha singular da Encarnação, reconsiderava os acontecimentos da infância de Cristo, confrontando-os entre si, no íntimo do seu coração (cf. Lc 2,19.51). É isto que também a Igreja faz; na sagrada Liturgia, sobretudo, ela escuta com fé, acolhe, proclama e venera a Palavra de Deus, distribui-a aos fiéis como pão de vida (DV 21), à luz da mesma, perscruta os sinais dos tempos, interpreta e vive os acontecimentos da história (MC 17).

Na Virgem Maria, de fato, tudo é relativo a Cristo e dependente d’Ele: foi em vista d’Ele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedidos. A genuína piedade cristã, certamente, nunca deixou de pôr em realce essa ligação indissolúvel e a essencial referência da Virgem Maria ao divino Salvador (LG 66)… Por outro lado, contribuirá isso também para aumentar o culto devido ao mesmo Cristo, porque, segundo o sentir perene da Igreja, reforçado autorizadamente nos nossos dias (LG 66), “é referido ao Senhor aquilo com que se procura agradar a Serva; desse modo, redunda em prol do Filho aquilo mesmo que é devido à Mãe… De tal sorte, transfere-se para o Rei aquela honra que, em humilde tributo, se presta à Rainha”.

Feliz anos novo para todos. Sejamos homens e mulheres da Paz e construtores da Paz. Que a Virgem Maria, Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe, abençoe a todos neste ano de 2017 que estamos iniciando.

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Dom José Valmor Cesar Teixeira, SDB
Bispo diocesano de São José dos Campos






CATEQUESE Ano Mariano

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