Palavra do Pastor

1 de junho de 2017

O Espírito Santo

Celebramos com muita alegria, neste mês de junho, a Solenidade do Espírito Santo, a festa do Divino, como gosta de dizer o povo em muitos lugares do Brasil. É a afirmação da nossa fé na terceira pessoa da Santíssima Trindade. Encontramos a presença do Espírito Santo em todas as páginas da Sagrada Escritura, ainda mais que Ele é o inspirador dos escritores sagrados: “falou pelos profetas”, como rezamos no símbolo apostólico.

O Espírito Santo é a força dos profetas, dos apóstolos e dos mártires: “Eu estou cheio de força com o espírito do Senhor, espírito de justiça e de coragem”, exclama Miquéias (Mq 3,8) e Paulo diz: “Deus, na verdade, concedeu-nos um Espírito, não de timidez, mas de força” (2Tm 1,7). Falando dos cristãos que eram obrigados a lutar com as feras na arena, Tertuliano chama ao Espírito Santo: “O treinador dos mártires” e Cirilo de Jerusalém, por seu lado escreve: “Os mártires dão o seu testemunho graças à força do Espírito Santo”. E assim, poderíamos continuar apresentando palavras dos primeiros santos da Igreja, os padres da Igreja, que nos falam do Espírito Santo de Deus. Nestes tempos de tanta podridão moral, de tanta injustiça, de tanta falta de verdade e de ética, de tantas negociatas com a vida das pessoas, fica bem recordar a presença do Espírito Santo no coração daqueles que são de Deus, para que permaneçam firmes na verdade, na justiça e no compromisso com os irmãos e irmãs. E só possui, de verdade, o Espírito Santo quem tem intimidade com Deus. São Basílio nos diz que: “é o Espírito Santo quem cria a intimidade com Deus. Isso aparece claro na Carta aos Efésios: “É por meio dele (Cristo) que, uns e outros, podemos apresentar-nos ao Pai num só Espírito. Portanto já não sois estrangeiros nem hóspedes, mas sois concidadãos dos santos e familiares de Deus…é nele que também vós, juntamente com os outros, sois integrados na construção para formardes a morada de Deus por meio do Espírito (Ef 2, 18-22). Peçamos insistentemente para que o Espírito Santo haja em nós e assim possamos ser pessoas tementes a Deus, possamos ser verdadeiros em nosso agir e em nosso pensar, possamos ser de Deus em tudo e em todas as situações, como nos diz São João, em sua primeira carta. É certo que quem é conduzido pelo Espírito Santo de Deus não realiza as obras do mal, nem do espírito do mal: paixões desordenadas, roubos, desvios, mentiras, falcatruas, enganações, perversidades, etc… Quem é conduzido pelo Espírito Santo, tem compromissos com: a justiça, a verdade, a caridade, o amor, a misericórdia, a vida santa, os bons costumes, a solidariedade… Tudo que é de Deus e que remete a Deus. Rezemos sempre: “vinde Espírito Santo, enchei os nossos corações…”.

E a vida de Família, é um dos ícones da Santíssima Trindade, mistério de amor divino e humano. Celebramos, também, neste mês a vida de Família, projeto de Deus. “A aliança matrimonial, pela qual o homem e a mulher constituem entre si uma comunhão de vida toda, é ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole, e foi elevada, entre os batizados, à dignidade de sacramento, por Cristo Senhor” (CIC 1055).

A festa da Família que celebramos em nossa Diocese quer ser uma manifestação pública e visível do valor que damos à Família e ao Sacramento do Matrimônio. São manifestações da presença do Espírito do Senhor que conduz o seu povo para a salvação e a vida em dignidade. A festa litúrgica da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, que todos os anos celebramos no período natalino, oferece-nos a possibilidade de meditar sobre a extensão dos mistérios da Encarnação no dia a dia da vida familiar, em que o Filho de Deus cresce e realiza o projeto do Pai. Também em cada uma de nossas famílias, com a força do Espírito de Deus, queremos, ainda que em nossas condições humanas frágeis, realizar O PROJETO DE DEUS EM NOSSA FAMÍLIA. Façamos de nossas famílias o lugar da “experiência do amor de Deus e do aprendizado da dignidade humana”. “O amor dos esposos exige, por sua própria natureza, a unidade e a indissolubilidade de sua comunidade de pessoas que engloba toda a sua vida: “de modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6). Eles são chamados a crescer continuamente nesta comunhão através da fidelidade cotidiana à promessa matrimonial do recíproco dom total” (FC 19).

Que o Espírito Santo nos conduza e ilumine e nos faça sempre mais “colaboradores de Deus”.

Dom José Valmor Cesar Teixeira, SDB
Bispo Diocesano






CatolicaSJC Ano Mariano

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