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9 de dezembro de 2016

Por uma cultura da solidariedade

O Psiquiatra e escritor Augusto Cury nos diz que “A solidariedade é enxergar no próximo as lágrimas nunca choradas e as angustias nunca verbalizadas”.

Foi o que o mundo inteiro assistiu recentemente diante da tragédia ocorrida com a Equipe Chapecoense de Futebol, equipe técnica e jornalistas presentes no voo que os conduzia a Colômbia para disputar sua primeira final internacional na Copa Sul-Americana que não aconteceria.

A comoção foi mundial: chefes de Estado, clubes nacionais e internacionais, torcidas historicamente rivais se unindo para prestar homenagens, lideranças de outras modalidades esportivas, artistas, igrejas, religiões, culto ecumênico reuniram fiéis de diversas denominações para também prestarem sua “solidariedade” ao povo e ao Clube Chapecoense, os colombianos que surpreenderam a todos realizando encantadora homenagem e cedendo o título de campeão ao clube que conquistou o mundo inteiro.

O triste acontecimento mostrou com tamanha força um sentimento que está inerente ao ser humano conhecido pelo nome de “solidariedade”.

Ser solidário é sentir o que o outro sente, como se o que aconteceu com o outro estivesse acontecendo comigo mesmo, é se colocar no lugar dele, viver com ele o que ele o que está vivendo, foi assim que se sentiram milhões de pessoas em relação aos pais, filhos(as) parentes, moradores de Chapecó, torcedores que perderam seus entes queridos. Mas a solidariedade para completar seu significado precisa se desdobrar em atitudes que materializem este sentimento, assim com relação ao triste episódio alguns clubes se apresentaram para ajudar a reerguer o chapecoense, ajudas financeiras, profissionais de psicologia no atendimento às famílias, entre outras ações concretas.

Este triste acontecimento nos leva a pensar na urgência de cultivarmos o que já se tem debatido que é o cultivar uma “cultura da solidariedade”, que a solidariedade se transforme em “hábito”, um “comportamento” uma maneira de ser, do respeito ao outro, da ajuda mutua diária sem que necessariamente precise acontecer uma tragédia para que este sentimento se aflore e se manifeste.

O ser humano é essencialmente bom, porque viemos de Deus cuja essência é pura bondade, “Deus é bom” (Sl 107,1; Mc 10,18 ), embora tenhamos credos diferentes, culturas e línguas também diferentes, estamos “umbilicalmente” ligados a Ele, somos filhos do mesmo Pai na criação, viemos da mesma essência, carregamos conosco então esta filiação divina que nos dá condições de praticarmos atos semelhantes próprios de quem nos criou (amar, solidarizar-se, sentir a dor e alegria que o outro sente, sentimento de pertença ao outro, de irmandade,etc…), daí entendemos o porquê de alguém lá do outro lado do mundo chorar com alguém que chora aqui em Santa Catarina se objetivamente falando nunca se conheceram, mas o sentimento de sermos uma só família, sermos todos irmãos e irmãs permeia “invisivelmente” o mundo inteiro e nos fazem pertencermos um ao outro e nos comovermos quando algum fato fere nosso irmão(a) mesmo a milhares de quilômetros de distância.

O então papa João Paulo II, hoje São João Paulo II, disse quando à frente da cátedra de Pedro que a “solidariedade é o novo rosto da caridade”, como que comunicando a ideia de que não basta por exemplo somente ajudar alguém por ajudar, mas também como já dissemos colocar-se no lugar do outro, sentir o que ele sente, porque somos irmãos e irmãs, pertencemos a uma só família.

Cultivarmos uma cultura da solidariedade é trabalharmos por uma sociedade mais fraterna, harmônica, de prevenção a falta de condições básicas de sobrevivência, de paz (inclusive no competitivo mundo do futebol que por vezes chega-se ao extremo da violência e até mortes).

Difícil? Nem tanto, se começarmos em casa, com os vizinhos, com alguém que padece e que esteja mais perto de mim.

Que esta lamentável e triste tragédia aérea e seus desdobramentos de solidariedade mundial nos ensine entre tantas lições que nunca é tarde para renovarmos nosso sentido de família e do valor inalienável da vida e da pessoa humana.

Padre Luis Fernando Soares
Pároco da Paróquia Espírito Santo, em São José dos Campos.






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