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25 de agosto de 2017

Ser catequista no estilo mariano

No último domingo de agosto, próximo dia 27, celebraremos novamente o Dia Nacional do Catequista. Aproveitando o decurso do Ano Mariano, em razão do tricentenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba, poderíamos refletir sobre as atitudes do catequista inspiradas no que lemos sobre Maria de Nazaré nos evangelhos.

Abertura. Maria é uma mulher de fé, portanto atenta à voz de Deus e disponível para colaborar com o seu projeto de salvação. “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38), responde ela ao Anjo.

A atitude fundamental de um catequista deverá ser a abertura para colaborar com a vontade de Deus, dado que a obra da evangelização é, em primeiro lugar, um projeto divino. Iniciativa. Após a anunciação, ao ficar sabendo da gravidez de Isabel, já no sexto mês, Maria não espera um grito de socorro da prima. Tomando iniciativa, parte “apressadamente” para a casa de Zacarias, sem deixar-se abater pelo caminho difícil da “região montanhosa” que precisava atravessar (cf. Lc 1,39ss). O catequista que se coloca a serviço de Deus através da comunidade toma a iniciativa em vez de ficar parado vendo as coisas acontecerem, se envolve nos trabalhos pastorais sem sucumbir aos obstáculos que porventura aparecem.

Sensibilidade. Atenta ao que se passa ao redor, Maria não deixa de perceber a carência daqueles que “não têm vinho”. Nas bodas de Caná (cf. Jo 2,1ss) intervém com presteza, ciente de que não é o centro das atenções, apontando para Jesus e confiando em sua misericórdia. Se não entrarmos na dinâmica da solidariedade, agindo em favor das necessidades dos outros, corremos o risco de pensarmos somente no que falta para nós. Deste modo, o catequista é chamado a estar sempre atento às necessidades dos catequizandos e dos demais catequistas, ponderando que contribuição poderia dar.

Presença. Aos pés da cruz de seu filho, Maria não pôde fazer muita coisa. Contudo, se fez, ao menos, presença solidária na dor. Ela sofre com e por Jesus e permanece “de pé” (Jo 19,25), graças a sua esperança. Nenhum catequista conseguirá preservar seu catequizando de todos os problemas. A realidade nos põe diante de inúmeras situações complexas e, às vezes, trágicas. Mas o catequista, alicerçado na esperança cristã, representará a Igreja solidária nas horas de dor, que, embora não consiga resolver os problemas como gostaria, não abandona seus filhos.

Perseverança. Maria não é autossuficiente, portanto, não se coloca acima da comunidade. Após a ascensão de Jesus permanece em oração junto aos apóstolos e aos demais discípulos, esperando confiante o Dom do Alto (cf. At 1,14). Verdadeira discípula porque ouve a Palavra de Deus e a põe em prática (cf. Lc 11,28), ela sabe que sem comunidade não há seguimento de Jesus. Assim é o catequista, não se coloca acima ou à parte da comunidade, mas persevera junto com ela, com suas virtudes e seus vícios.

Enfim, estas são algumas das atitudes de Maria que podem inspirar os catequistas em suas atividades pastorais e em sua atuação cristã de modo geral. O Reino não exige de nós perfeição, todos sabemos de nossas fraquezas, mas que haja empenho, dedicação, vontade de fazer o Evangelho frutificar para a vida do mundo. Inspiremo-nos “no “estilo mariano” evangelizador. Estilo feito de força e ternura, de justiça e amor, de sensibilidade, que descobre os mínimos sinais do Evangelho, assim como dos grandes acontecimentos. Maria é „modelo eclesial para a evangelização (…) para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos, e torne possível o nascimento de um mundo novo‟ e de pessoas novas” (Doc. 107 CNBB, Iniciação à vida cristã, 114).
Que a bem-aventurada Virgem Maria, a Senhora Aparecida e estrela da evangelização, interceda pelo ministério de todos os catequistas em nossa Diocese. Amém.

Pe. Éverton Machado dos Santos
Vigário Paroquial da Catedral São Dimas e Assessor diocesano da Animação Bíblico-Catequética






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