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30 de junho de 2017

Jovens em Cristo

Quando passamos pela adolescência e juventude, entramos numa fase da nossa vida propícia para a construção de uma identidade pessoal e social capaz de projetar um sentido para a nossa existência. É uma fase que, apesar de conflituosa, abre uma série de possibilidades para a nossa realização. Diante disso, que sentido tem a nossa fé neste processo todo? Pelo sacramento do Batismo assumimos um modo de relacionar-se com Deus à luz de Jesus Cristo. Cremos que Ele é o Filho encarnado que veio para revelar o Pai misericordioso e seu projeto para a humanidade – o Reino de Deus – e que comunica o Espírito Santo que nos inspira e guia na realização deste projeto. É precisamente nesta fase que podemos abraçar de modo mais consciente a fé em Jesus de tal modo que Ele marque o nosso jeito de ser pelo resto das nossas vidas.

Para tanto, devemos em primeiro lugar sermos, de fato, verdadeiros discípulos de Jesus Cristo. Certa vez o papa Bento XVI ensinou que ser cristão não é uma decisão ética ou adesão a um conjunto de ideias, mas uma experiência pessoal com o próprio Jesus (cf. Encíclica Deus Caritas Est, 1), trata-se portanto de um relacionamento entre amigos (cf. Jo 15,15). Todos os dias Ele nos convida: “Vinde após mim!” (Mc 1,17; Mt 4,19); e, sem sabermos ao certo o que nos espera, nos desafia: “Vinde e vede!” (Jo 1,39). Responder a este desafio significa embarcar numa grande aventura na qual poderemos seguir o Mestre em seu itinerário existencial: passar a vida fazendo o bem (cf. At 10,38).

 Mas, aquele que é discípulo deve ser, necessariamente, missionário. O papa Francisco tem proposto uma Igreja “em saída”, trata-se de fazermos transbordar o amor de Cristo indo efetivamente ao encontro dos outros e, sobretudo, daqueles que poucos ou ninguém se interessam. O Papa recordou o seguinte: “Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido por vocês!” (Homilia na missa de envio da 28ª Jornada Mundial da Juventude, Rio de Janeiro, 28 jul. 2013). Está aí uma proposta de evangelização para os jovens: evangelizar os próprios jovens! Mas, para isso, não nos esqueçamos de dois critérios evangélicos: o diálogo e o serviço. Com Jesus devemos romper os preconceitos que nos afastam das pessoas e causam marginalização (cf. Lc 19,5; Jo 4,7-9) e também se colocar sempre à disposição para servir (cf. Mc 10,44-45; Jo 13,14-15).

 Enfim, ser “jovem em Cristo” quer dizer ressignificar a vida a partir do nosso encontro com Ele desenvolvendo uma espiritualidade sadia que, longe de nos tornar uma espécie de casta privilegiada ou nos enclausurarmos numa fé intimista, nos move em direção às pessoas e ao mundo com suas respectivas necessidades. Na mesma homilia proferida no Rio de Janeiro, o papa Francisco clamava aos jovens: “A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam!”. Quem topa?

Pe. Everton Machado dos Santos
Vigário da Paróquia São Dimas e assessor diocesano da Animação Bíblico-Catequética.






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  1. Excelente reflexão Padre, e digo mais…
    O Papa Francisco nos pede que sejamos uma “igreja em saída”. Isso pode parecer tarefa simples, mas muitas lutas têm que ser empreendidas para que alcancemos o êxito desejado; e a vitoria será construída em base à perseverança em fidelidade, dando um passo após o outro, e não nos desviando do objetivo almejado (re) construindo uma Igreja na qual somente Jesus Cristo apareça e transpareça.
    Obrigado Pe Everton.



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